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Gonquer

3.1- Rumú


 A traição de Laponiel

Trália, 856 AEC...

Rumores corriam em toda a nação trophana de que Gonquer Zá-Sezano, seu rei, construiria a mais poderosa cidade trophana. Parece que agora ela começaria a sair do papel. Eram dias de júbilo e festividades, mas logo toda essa alegria acabaria.

Laponiel Sezano, filho do rei, ansiava o trono, mas seu pai não parecia estar disposto a abandonar o mundo dos vivos. E a paciência de Laponiel esgotara. Ele passou a criar divisões e contendas entre todo o povo trophano para que seu pai fosse destronado e ele pudesse reinar em seu lugar o mais rápido possível. Astutamente, Laponiel seduziu a maioria dos trophanos para segui-lo, usando de meios populistas, fingindo ser um amigo dos pobres e dos atribulados, ao mesmo tempo em que afirmava que os homens de posse eram roubados pelo excessivo tributo.


Como conseguia apoio e popularidade com seus discursos, uma grande multidão de homens de várias classes passou a segui-lo, até que uma parte importante das forças armadas passou a apoiá-lo.

Agora viria o golpe impiedoso: Laponiel acusou injustamente Gonquer de traição e fez com que fosse encarcerado numa das Masmorras Reais trophanas. Naqueles dias funestos, haviam homens de honra que percebiam a manobra de Laponiel, e, arriscando suas vidas, continuaram leais à Gonquer.


Quanto a estes, Laponiel decidiu bani-los da cidade, e eles passaram a se reagrupar nas florestas, e organizaram-se de tal modo que se sentiram motivados a invadir a cidade e libertar seu rei.

Felizmente para Gonquer Zá-Sezano, seus homens mostraram-se hábeis guerreiros, e o libertaram! Quanto a Laponiel Sezano, ao ver que o efetivo que mantinha sob seu controle não era páreo para os Gonqueros (pró-Gonquer) abandonou um pouco de suas forças na luta contra Gonquer, causando distração, e arrastou consigo uma grande massa de trophanos, incluindo milhares que puxavam da espada, e desapareceu velozmente na direção das densas florestas nos limites do território trophano... e todo aquele povo não foi mais visto por meses.

 

Rumenumos

Meses decorridos da confusão criada por Laponiel em todo o império trophano Gonquer encontrava-se entristecido. Desejava poder rever seu filho novamente e saber dos pormenores de suas andanças.  Depois de muito meditar no assunto decidiu tomar uma ação: esquadrinhar toda a região próxima á sua cidade á procura de Laponiel. Assim, diariamente enviava experientes batedores trophanos para tentar localizá-lo.

Tornou-se ainda assim uma espera muito delongada, mas finalmente um dos batedores trouxe a informação que Gonquer tanto esperava, só que esta vinha acompanhada de outra totalmente inesperada: (1) Laponiel fora encontrado (2) fundou o que parecia ser uma cidade-estado onde era rei. A cidade fora batizada de Rumú e os habitantes chamavam-se uns aos outros de rumenumos.

Como se pode imaginar, Rumú carecia de infra-estrutura e até mesmo a morada do rei era provisória. Mas Laponiel acreditava que poderia erguer uma nação poderosa desmembrada de Trophir, assim como Trophir se desmembrou de Protar.

Ao inteirar-se do assunto Gonquer sentiu um misto de alegria e traição. Por fim, o rei convocou seus melhores homens, a Elite Abadã, e marchou em direção à Rumú, acampando nos arredores da cidade.


 Rumú, por sua vez, estava situada em um local de difícil acesso, só havia uma passagem segura e nesta Laponiel erguera diversas Palanunas (torres rumenumas, rudimentares, porém estrategicamente posicionadas e perfeitamente camufladas ao ambiente á sua volta). Após algumas baixas trophanas resultadas do pesado bloqueio proporcionado pelos constantes e mortais projéteis das Palanunas rumenumas, o exército de Gonquer  cessou o avanço até refinar sua técnica de invasão sem o efetivo tornar-se alvo fácil das Palanunas, caso contrário o contingente sofreria um número considerável de baixas antes que pudessem aventurarem-se dentro dos portões de Rumú.

Uma das táticas empregadas na batalha que ficou conhecida como “Resgate do Príncipe”, sugeridas ao rei trophano por um de seus generais ali presente designado para acompanhá-lo na batalha, mais tarde ficou conhecida e implementada oficialmente no exército trophano como Formação Abada (enfileiramento dos soldados lado-a-lado, cada homem protegendo a formação acima,frontal e lateralmente com seu largo escudo; a primeira fileira portando sua lança em direção ao inimigo), segundo Peque Mugi-Doul, historiador do 2º Século AEC.

Visto que a Formação Abada repelia mui eficazmente as saraivadas rumenumas das Palanunas e avançava ininterruptamente contra as forças corpo-a-corpo inimigas que vinham ao seu encontro empurrando-as e encurralando-as, o resultado de tudo isso fora a queda da recém-formada Rumú, que acabara sendo cremada inteiramente.


 Laponiel Sezano fora arrastado sob feroz resistência até a cabana do rei, onde recebeu dura repreensão. Mugi-Doul relata que foram incluídos castigos físicos, típicos de pai para filho.

Gonquer Zá-Sezano enviou o filho à Tronédia (cidade-real trophana) fortemente escoltado para que se impedisse qualquer outra fatídica fuga.

3.2- Tronédia e Docas Brii


 Cerco á Tronédia

Passaram-se oito anos desde a destruição de Rumú e da captura do rebelde Laponiel Sezano. Nesse tempo Laponiel havia sido entregue aos Gonqueros (templos tronedianos; Gonquer batizou os templos em homenagem á seus libertadores no seu primeiro conflito com Laponiel) para que se lhe fosse incutido pelos Filósofos que atuavam ali, que de forma alguma deveria existir novamente Rumú, rebeldia e desfragmentação do insubstituível império trophano. A Enciclopédia de Partênesis escreveu o seguinte a respeito desse ritual dos Filósofos trophanos: "Semelhante á uma lavagem cerebral, os Filósofos limpavam a mente das pessoas que lhes eram entregues. O objetivo disso era apagar os costumes da pessoa e incutir na mente dela as ordens e os desejos do rei. Tal treinamento levava apenas dois anos, mas mentes sábias como a de Laponiel por serem mais resistentes, requereriam mais tempo". Isso talvez explique por que Laponiel deixou de ser mencionado nos manuscritos trophanos por algum tempo.

Trophir finalmente estava prosperando e crescendo. Em todas as suas cidades havia paz e segurança. Nada de invasões estrangeiras, nada de conflitos internos. A mais poderosa cidade trophana estava nos estágios finais de acabamento e Gonquer Zá-Sezano estava ansioso para ver como estava seu filho Laponiel nos estudos filosofais.

 

Ordenou que fosse trazido até ele ao trono para que pudessem conversar a sós. Gonquer lhe disse então que após a morte dele, Laponiel seria o futuro rei de Trophir. Isso o deixou completamente irado e furiosamente Laponiel puxou a espada de seu próprio pai e o golpeou de forma não letal. Nervoso e tenso Laponiel montou num cavalo e galopou velozmente para fora da cidade, em Docas Brii (cidade-portuária) encontrou transporte e ordenou que lhe deixassem em tal destino (?).

Surgiu então no cenário trálio a confirmação do tão temido rumor: os constantes e misteriosos desaparecimentos de cidades trophanas inteiras de que se ouviam pregar eram o indício de uma invasão estrangeira.  Para o desespero do rei trophano esses não eram invasores comuns, tratava-se da mais agressiva, numerosa e organizada nação de Protar.


Bolibama Tílio II, rei de protar, estava sedento por vingança contra Gonquer, pois o rei trophano havia sido o responsável pela fragmentação do império protariano nos dias do pai de Tílio II.

Sigilosa e velozmente Tílio II, consumiu as cidades trophanas que pudessem alertar Tronédia (cidade real trophana) e limpou o caminho para executar uma invasão direta e maciça à principal cidade trophana. Tílio II, porém, estava a par da eficiência dos navios tronedianos de escapar alerta á todo o resto do império trophano. Com isso em mente esforçou-se em encontrar um método de neutralizar todas as embarcações antes que conseguissem deixar Docas Brii. O problema era: como realizar essa audaciosa façanha?

 

 Enquanto isso, saindo dos limites de Trophir e já em território desconhecido Laponiel foi capturado por batedores protarianos. Mas seu dom da fala seduziu Bolibama Tílio II, que logo acabou concordando em fazer acordos absurdos com Laponiel. Tílio II ofereceu-lhe o que pediu para que em troca Laponiel Sezano disfarçasse seus soldados como comerciantes e assim pudessem atracar em Docas Brii sem que se percebessem que eram inimigos.
E foi exatamente o que ocorreu! Os protarianos tomaram Docas Brii despreparadas, cortando assim o único meio de comunicação de Tronédia com as Midrantes.

A batalha que ficou conhecida como "Cerco á Tronédia" se tornou um episódio marcante na vida dos tronedianos.
Apesar do rei estar ferido e fora de combate e nenhum general estar ali presente, os tronedianos receberam socorro da fonte mais inusitada possível, seus Tromphants (paquidermes de combate) habilmente teinados...


Quando todas as Docas-Brii foram tomadas de assalto pelos exércitos de Tílio II, que estava ali presente, muitos Phants (espécie paquiderme) que se encontravam ali também acabaram sendo tomados para serem usados contra Tronédia. Apesar dos protarianos nunca terem visto extraordinário animal e muito menos terem por costume usá-lo em suas batalhas, notaram que uma arma muito poderosa estava diante de seus olhos. Mesmo sem conhecimento algum dos comandos básicos do animal, os protarianos ousaram montá-los e marcharam todos pomposos de sua prodigiosa plataforma de guerra ambulante, sequer imaginando que seriam traídos justamente pelos animais em que tanto confiavam. Quando a batalha teve início, Tílio II, convicto da vitória, ordenou um ataque em massa, (cavalaria, infantaria e os elefantes trophanos) todos juntos em uma só remessa.

 

Enquanto avançavam contra a cidade, bramiam com todas as forças e clamavam ao máximo com suas vozes num esforço de apavorar e amedrontar os exércitos tronedianos já desamparados pela grande massa de gente que teriam de enfrentar. Os Phants, assustados com tamanha euforia, partiram pra cima dos irritantes protarianos que jamais imaginariam presenciar tal acontecimento absurdo: serem apunhalados pelos seus próprios homens que estavam montando os animais. O caos tomou conta das fileiras protarianas que abandonaram o ataque contra a cidade e começaram a brigar entre si. E enquanto golpeavam-se uns aos outros eram alvejados por atiradores tronedianos postados nas muralhas que se aproveitavam ao máximo da patética situação em que se encontravam seus oponentes.

 

Contudo os protarianos eram tão ferozes no combate que ainda conseguiam derrubar muitos tronedianos na muralha ao passo que abatiam os Phants descontrolados. Então subitamente o rei invasor Tílio II fora atacado por um grupo de Phants que avançaram contra seu acampamento na retaguarda. Severamente ferido e inconsciente, Tílio II acabou sendo retirado por suas forças reservistas da batalha, que partiram em covarde retirada abandonando as forças protarianas remanescentes que haviam acabado de derrubar o último Tromphant sedento de sangue protariano. Assim que os protarianos avistaram a retirada involuntária de seu rei, sentiram-se profundamente quebrantados em seu íntimo perdendo o interesse na batalha e partiram em fuga de diante dos tronedianos que haviam aberto os portões da cidade com o fim de persegui-los.  Até que as forças restantes de invasão protarianas atingiram Docas Brii no esforço de alcançarem seu rei antes que partisse nas embarcações atracadas ali. No entanto, já era demaisado tarde! Os reservistas já haviam partido com Tílio II e abandonado as forças de invasão principal. Aqueles que não caíram á espada tronediana lançaram-se sob sua própria espada em amargura e morreram.


Naquele dia tombaram 900.000 protarianos.

A “cidade real”

Tronédia foi instituída pelo rei como a "cidade real", onde seu palácio e os Gonqueros estariam localizados. Obviamente deveria ser a mais bela cidade trophana já construída e deveria ser bem guardada, pelo fato de ser a mais rica. Os melhores tesouros trophanos estavam guardados ali, e os monumentos mais importantes foram erigidos nessa cidade. Seu incrível sistema de defesa era bastante eficaz: A cidade situava-se sobre uma pequena península que margeava o rio Oji-Náas.  Esse rio cercava a o norte, leste e oeste da região de tronédia. O sul de Tronédia era guarnecido pela colossal Cordilheira das Montanhas Molibênias. Na região tronediana estavam divididos a cidade de Tronédia ao sul e uma espécie de porto ao norte, denominado Docas Brii.

 

Embarcações marítimas somente atracavam na ilha com permissão das Docas, que além de proteção contra invasões por água também servia como o único canal de comunicação de Tronédia com o resto do império trophano. Tronédia foi erigida sob uma das Montanhas Molibênias; Tronédia, portanto, descia até a parte mais baixa em forma de espiral. Conforme se ia subindo essa cidade mais perto do topo da montanha estava. A “cidade real” era dividida em 4 níveis; no sopé da montanha se encontrava o nível mais baixo e o nível mais alto estava no topo da montanha, com os palácios, templos e monumentos tronedianos. Cada nível era cercado por uma muralha, o nível mais baixo possuía muralhas duplas. Modéstia à parte, os tronedianos tinham motivos de sobra para se orgulharem de sua cidade.

 

Docas Brii

A idéia de possíveis invasões por água contra Tronédia sempre atordoava Gonquer Zá-Sezano. Para impedir que perigos como esse se tornassem realidade Gonquer resolveu criar uma segunda cidade semelhante á Tronédia, com o fim de tornar-se uma pesada distração para invasões inimigas até que Tronédia obtivesse tempo suficiente para preparar suas defesas. Também foi projetada para conseguir suportar fortemente ataques marítimos de qualquer espécie, até que seus hábeis navios mensageiros pudessem pedir socorro á todas as cidades-fortalezas que estivessem próximas ou disponíveis. Em suma era uma pequena cidade fortemente murada construída rente ás margens mais vulneráveis do Oji-Náas. Foi baseada no projeto do Grande Filósofo e Conselheiro Real de Gonquer Zá-Sezano: Molosso Gaal. A cidade de Docas Brii recebeu esse nome em memória do filho de Molosso, Comeirol Brii Gaal, que aos 6 anos de idade teve sua vida abreviada por uma peste que estava começando a se desenvolver e alastrar entre os tophanos, a Peste de Nasga (Lepra).


Havia também ali algumas casas, fazendas, estábulos mas a maioria das edificações de Brii eram destinados à guerra e economia, tanto da própria cidade como de Tronédia. O cais de Brii era muito bem protegido pelos Comeirões (torres esculpidas em rocha sólida). Infelizmente sua frota de navios de guerra era pouco efetiva no combate, mas em compensação seus navios-mensageiros eram os mais velozes da época. O uso dos Tromphants originou-se dali. Os melhores amestradores eram habitantes de Docas Brii, sendo somente eles capazes o suficiente de conseguir treinar e equipar elefantes perfeitamente obedientes á qualquer trophano que montasse neles. Observado o fato de sempre Docas Brii tornar-se o alvo primário das invasões, tornou-se necessário equipá-la e guarnecê-la tanto quanto a própria Tronédia.

3.3- As Midrantes


 Cidades-fortalezas

“As antigas cidades-fortalezas nos dias atuais ainda conseguem atrair a atenção de turistas do mundo todo. Suas ruínas exibem uma beleza sem igual, o estilo de seus edifícios foi definido como o mais encantador de sua época. Ainda assim existe um segredo especial escondido por detrás de seus blocos de pedras: Como poderiam cidades como essas iguais a qualquer outra comum e vulnerável serem tão poderosas a ponto de serem denominadas cidades-fortalezas?” – Enciclopédia de Partênesis

Para proteger Tronédia ou qualquer outra cidade trophana vulnerável, Gonquer Zá-Sezano designou sobre o amplo território trophano cidades fortemente erigidas especializadas em socorrer Trophir sempre quando esta sofria: "pilhagens externas" (investidas feitas por nações hostis contra cidades trophanas) ou "ataques internos" (rebeliões geradas por trophanos descontentes com a forma de governo do rei). Além de resolverem disputas e conflitos, essas fortificadas cidades deveriam também fornecer apoio e ajuda quando outras cidades trophanas necessitassem de: materiais tanto para reformas quanto para construção de novos edifícios, suprimentos ou mantimentos, ajuda financeira e conselhos para se resolverem disputas que vez por outra surgiam entre os próprios trophanos.

 

Não é de admirar que tais cidades fossem denominadas "cidades-fortalezas", principalmente porque sem elas nenhuma outra cidade trophana conseguiria rechaçar ataques inimigos com tamanha eficiência. Mas mesmo entre cidades-fortalezas nasciam disputas e conflitos, que geravam sérios problemas para todo o império trophano de Gonquer Zá-Sezano. O rei, pois, viu-se obrigado a eliminar de uma vez por todas com esse mesquinho problema que já estava ficando incontrolável.

 

Surgiram então as Midrantes (poderosas cidades-fortalezas) que deveriam comandar e pôr ordem nas problemáticas cidades-fortalezas que ao invés de proverem proteção e auxílio já estavam espalhando terror e pânico. Para que o controle fosse bem organizado, todas as cidades-fortalezas foram divididas igualmente entre as Midrantes, e deveriam estar sujeitas às ordens destas. Assim surgiram as Midrantes Donal e Gregal.

Midrante Donal

Situava-se no "território donal" (nome sugestivo que indicava que todas as cidades-fortalezas que se encontravam ali pertenciam à Midrante Donal). Mas isso não significa que por tais cidades estarem sujeitas a essa Midrante, ela poderia ditar leis segundo a sua própria vontade ou criar normas absurdas que não estavam de acordo com as leis padronizadas de Gonquer Zá-Sezano. Pelo contrário, deveria somente repassar as leis incumbidas pelo rei. Em termos simples, Midrante Donal não poderia governar regiamente a nação.


O que mais se destacava nessa Midrante em comparação com outras cidades-fortalezas era sua invejável e impenetrável muralha, e não somente por quase ser inalcançavelmente elevada, mas também com respeito à suas ameaçadoras torres que ficavam fixas na própria muralha permitindo assim que diversos projéteis pudessem ser disparados da muralha sem nenhum risco para os homens da torre.

 

Apesar de ser fortemente resistente, já que suportava ataques de diversas espécies por dias, quando a muralha finalmente cedia, ainda assim, perigosas armadilhas espreitavam os exércitos inimigos.

Para comandar essa Midrante Gonquer Zá-Sezano incumbiu um dos seus generais, Pru-Sidério Pertutiano. Pru-Sidério era um general jovial, todavia perito experiente em armamentos de guerra inovando e aperfeiçoando mecanismos de combate. Entre esses estavam a “flecha flamejante” (flecha com ponta envolvida em tecido embebido com líquido inflamável) e o “óleo fervente” (armazenado em bacias fixas nas muralhas para serem despejados em soldados próximos dos muros).

 

A mais engenhosa das armadilhas de Pru-Sidério eram os Trafincos (buracos camuflados no solo onde em seu interior se encontravam lanças pontiagudas) distribuídos tanto pelo terreno externo da muralha quanto pelo interior da cidade. Obviamente os Trafincos eram muito bem sinalizados para que nenhum trophano despencasse neles; seria a morte certa!


Mas vez por outra ocorriam acidentes devido à quantidade exagerada de Trafincos que Pru-Siderio precipitadamente distribuiu. Um desses acidentes marcou para sempre sua vida, quando seu casal de filhos pequenos cavalgava com ele na região até que o cavalo em que estavam seus filhos assustou-se misteriosamente e correu em direção á um Trafinco! As duas crianças e o cavalo despencaram no buraco e foram traspassadas pelas lanças em seu interior. Quando sua esposa soube disso tirou a própria vida em excessiva tristeza, e desse dia em diante Pertutiano se tornou um beberrão inveterado, bruto e violento.

Ser um "Rei-general", nome que se dava ao general que era incumbido de comandar uma Midrante, não era fácil.

 

Talvez pelo fato de estar frequentemente envolvido em viagens de inspeção pelas cidades-fortalezas que lhe estavam sujeitas para verificar se tudo estava ocorrendo na mais perfeita ordem. As viagens de inspeção envolviam longas jornadas onde se acampavam em tendas provisórias com comida nada requintada e nada de vinho. Quando finalmente se chegava a uma das cidades-fortalezas, os assuntos ali pendentes deveriam ser resolvidos no mesmo dia, para que assim a jornada para outras cidades-fortalezas pudesse ser realizada o mais rápido possível.

 

Ás vezes surgiam alguns probleminhas desgastantes como encontrar feras carnívoras no caminho, emergências maiores onde se devia encerrar a jornada e retornar à Midrante imediatamente e até mesmo conflitos entre cidades-fortalezas onde uma marchava com seus exércitos contra outra. Mas isso eram somente as viagens de inspeção, ainda restavam entre as obrigações de um Rei-general da Midrante Donal: (1) servir de mensageiro para alertar outras cidades sobre as frequentes investidas de Bolibama Tílio II e seus exércitos protarianos contra cidades trophanas (2) viagens regulares à distante Tronédia onde Gonquer perguntava sobre as andanças de sua nação (3) treinamento de exércitos para fornecer às cidades requisitadas (4) o principal, exterminar nações hostis que guerreassem contra outras cidades trophanas ou mesmo contra a própria Midrante Donal.

Molosso Gaal, O Grande Filósofo, aconselhou sabiamente o rei a criar uma maneira diferente de comunicação entre as Midrantes, uma maneira mais segura, veloz e eficiente do que apenas com mensageiros que ás vezes corriam o risco de serem mortos no caminho. Então surgiram os "faróis de alerta". O Farol Donal era uma torre de pedras onde se empilhava no topo muita madeira, que deveria ser queimada para o alerta ser acionado. O alerta envolvia informar outras cidades trophanas ou até mesmo à outra Midrante que Trophir corria sério perigo de ser subjugada, sendo assim a prioridade das cidades-fortalezas deveria ser tomar as ações necessárias o mais rápido possível. Visto o Farol Donal ser um meio vital de comunicação deveria estar muito bem escondido, e realmente estava, pois densas florestas o circundavam. Gonquer até mesmo construiu uma pequena “cidade-guardiã” em volta desse farol para que estivesse bem seguro e protegido, ao qual batizou de Donal-Escol.

Midrante Gregal

"Eu comecei uma Midrante, mas acabei construindo uma segunda Tronédia". Essas foram as palavras ditas por Gonquer Zá-Sezano ao término da construção da mais bela cidade-fortaleza já construída, Midrante Gregal. Suas palavras foram bem significativas levando em conta a estrutura das pequenas muralhas que cercavam a cidade, embora talvez não aparentassem ser impenetráveis e colossais tais como eram as da Midrante Donal nunca em todo o reinado de Gonquer Zá-Sezano Midrante Gregal foi tomada de assalto por seus muros cederem à investidas inimigas.

 

Mas essa Midrante não era famosamente conhecida pelos seus muros, na verdade eles nunca foram derrubados porque seu Rei-general constantemente impedia que exércitos inimigos lançassem um só projétil contra ela que conseguisse derrubar seus muros. Conheça agora Midrante Gregal e seu Rei-general, Hamafade Lemóstides também conhecido como "O Senhor de Multidões”.

Semelhante à Midrante Donal, Midrante Gregal também foi designada sobre cidades-fortalezas que abrangessem seu território, ou seja, no "território gregal". Tal região era conhecida como a mais rebelde e depravada de todo o vasto império comandado por Gonquer.

 

Naturalmente Midrante Gregal necessitaria de um Rei-general competente, corajoso e leal, pois até mesmo a corrupção circundava os nobres e os respeitáveis funcionários da corte. Pior ainda, muitos trophanos acabaram fascinados pelas ideias deixadas por Laponiel Sezano, filho do rei, e se auto-proclamavam "Súditos Laponeônicos" espalhando desordem e criando contendas em meio a seus compatriotas trophanos. Esses mesmos puniam a aqueles que rejeitavam tornar-se seus adeptos ou partícipes de seus planos absurdos, muitas vezes por queimarem campos de fazendeiros, assaltarem diligências que transportavam riquezas e alimentos, chegando ao ponto de até mesmo assassinarem trophanos com algum poder tal como juízes e cobradores de impostos. Portanto ser Rei-general da Midrante que comandava o “insuportável território gregal” (expressão poética) não era apenas cansativo mas seriamente perigoso, qualquer trophano possuindo cargos de influência ou não, corria risco de morte.

Hamafade Lemóstides era o homem certo. Foi condecorado Rei-general imediatamente após a campanha que liderou contra povos níbios que disputavam territórios, obviamente porque foi o único general de Gonquer que conseguiu extinguir tal conflito interminável. Apesar da sua idade levemente avançada era cheio de vigor e saúde, sendo um general que participava ativamente em todas as batalhas que travava. O Senhor de Multidões precisava impor respeito perante seus milhares de soldados e portanto fazia-se de durão e possuía uma carranca amedrontadora, do contrário, nas horas livres em que poderia rever a família ou que não estava a serviço era gentil e dócil, bem diferente do homem em que se transformava na hora de liderar suas tropas. Hamafade era perito em jogos de guerra; amava solucionar problemas e situações incomuns no campo de batalha; afinal fora ele próprio que sugeriu a inigualável e esmagadora Formação Abadã durante a invasão contra Rumú que liderou ao lado do próprio Gonquer Zá-Sezano, no Resgate do príncipe, 856 AEC.

Grande parte do exército trophano pertencia ao Senhor de Multidões, dentre essa massa de gente encontravam-se 400.000 soldados de infantaria e 295.000 cavalarianos, isso sem contar as tropas que guarneciam a cidade. Quando atacada, Midrante Gregal defendia-se de uma forma aparentemente não muito sábia, ao invés de seus soldados lutarem de dentro da cidade protegendo-se nas muralhas abriam os portões e corriam ao encontro de seus inimigos. Obviamente para uma façanha desta ser realizada com êxito eram necessários dezenas de milhares de soldados que astutamente não corriam a esmo, pelo contrário, a saída da cidade era perfeitamente planejada com o intuito de confundir e distrair as fileiras inimigas até que chegassem os reforços. Algumas vezes a ajuda nem era necessária, os 120.000 guardas da cidade dispersavam exércitos inimigos sozinhos. Merecidamente Hamafade Lemóstides recebeu então o título significativo de "O Senhor de Multidões".

Midrante Gregal também possuía um "farol de alerta", denominado Tocha Gregal. Semelhante à sua irmã gêmea, Midrante Donal, essa Midrante também o escondeu nas mais densas e profundas florestas de Trophir; sendo vantajoso para Midrante Gregal suas florestas serem habitadas por diversos animais selvagens, apenas poucos conheciam os caminhos seguros que levavam á Gregal-Pira pequena cidade-guardiã do farol de alerta gregal. Foram estabelecidas ali também pequenas vilas que esquadrinhavam as regiões próximas á cidade guardiã. Todas erigiram uma grande torre para enviar sinais de alerta umas ás outras ou á própria Gregal-Pira.

Nova Rumú

O período em que os pró-Laponiel se manifestaram retardaram em grande escala a economia trophana, muitos avanços foram impedidos e por longos anos Trophir estacionou economicamente. Hamafade Lemóstides e Pru-Sidério Pertutiano decidiram juntar forças para eliminar de uma vez por todas com esse crescente problema corrompedor. Como infelizmente Gonquer Zá-Sezano não tinha mais forças para frear a rebelião do seu filho, Hamafade e Pru-Sidério precisaram tomar medidas drásticas. Após anos fatigantes de busca e pesquisa cuidados destinadas á comprovar informações de fontes que alegavam a existência de outra cidade rumenuma dentro do império, os dois decididos generais trophanos marcharam juntos com seus exércitos contra uma nova Rumú que ficara despercebida dos olhos trophanos por quase uma década. Ao acamparem seus exércitos no Monte Gaisah em 836 AEC, travaram a sangrenta batalha que ficou conhecida como "A Derrocada de Rumú".

 

Quando finalmente Rumú foi subjugada, Hamafade e Pru-Sidério tomaram a mais radical das atitudes, mataram todos os prisioneiros. Mulheres e crianças rumenumas eram queimadas vivas enquanto seus varões eram forçados a presenciar tal visão agonizante, em seguida os próprios jovens e varões rumenumos eram queimados vivos também. Foram todos mortos mesmo implorando misericórdia. Não se sabe ao certo o que fizeram com Laponiel, a única certeza que se tem é que seu corpo nunca fora encontrado.

Peque Mugi-Doul, historiador do 2° século AEC, conta que um dos soldados da união dos exércitos de Lemóstides e Pertutiano relatou o discurso que Hamafade fez para os exércitos em Gaisah antes do início do combate. Esse soldado traumatizado depois da batalha recorreu á Molosso Gall, O Grande Filósofo, e suplicou que Gall registrasse suas palavras em um dos “Escritos de Gaal”.


Peque Mugi-Doul alega que obteve uma cópia desse Escrito que relata o seguinte: “Ó Poderosos de Gonquer! Trophanos de Pertutiano e trophanos de Lemóstides! Hoje é o dia em que obliteraremos os rumenumos e seu líder Laponeônico para todo o sempre! Tenham sempre em mente minhas palavras quando forem devotar á destruição seus inimigos... inimigos de Gonquer... inimigos de Trophir! Relata-se de fontes confiáveis que até mesmo as grávidas rumenumas já pervertem seus bebês com a discórdia e divisão. As crianças rumenumas já são treinadas desde a tenra infância á odiar os trophanos de Gonquer. Por isso nesse dia de justiça e purificação não refreiem suas mãos de entregar tanto a idosos como jovens, mulheres ou criancinhas! Isso não será assassinato, nem genocídio, ó Poderosos de Gonquer! Hoje será um Dia de Justiça e Purificação!!!”

3.4- A face oculta do último Zá-Sezão


 Porque Laponiel Sezano era tão perverso...

Gonquer Zá-Sezano sofria amargurado ao perceber que seu próprio filho havia se tornado seu pior inimigo. Mas ainda remanescia um fôlego de esperança em seu coração traspassado de dor. Planejava conquistar o coração de Laponiel com afetuosas palavras de carinho disposto a perdoar-lhe todas as atrocidades que cometera, se necessário, até mesmo implorar-lhe seu amor. Como Laponiel Sezano, um filho tão perverso e rebelde conseguia compaixão e amor ilimitados da parte de seu pai? A resposta está inteiramente ligada a um nome: Rublis Memboa, a atraente esposa de Gonquer Zá-Sezano...

Quando se conheceram, Gonquer ainda era Chefe do Exército de Bolibama Tílio, o primeiro rei protariano. Rublis e Gonquer se amavam profundamente e logo se casaram. Infelizmente mais tarde Gonquer descobriu que sua querida esposa era estéril, o que certamente dificultaria seu sonho de continuar a quase extinta geração do clã dos poderosos Zá-Sezãos (como se chamavam todos os Zá-Sezanos). Todos os Zá-Sezãos, exceto Gonquer, já haviam sido exterminados em guerras protarianas, visto serem grandes e famosos guerreiros.

 

Sendo o último de sua linhagem Gonquer esperava erguê-la novamente por meio de Rublis Memboa e seus possíveis filhos. Arrasado com a ideia de que Rublis jamais lhe concederia filhos, Gonquer injustamente começou a menosprezá-la e odiá-la até que finalmente perdeu todo o amor que tinha por ela. Tornou-se tão desprezível que chegou a ponto de desejar uma “nova e fértil esposa”. Mas segundo a lei para o casamento estipulada por Bolibama Tílio, qualquer protariano (inclusive ele próprio) deveria casar-se apenas com uma só esposa, vivendo com ela até o fim de seus dias. Se fosse desrespeitada tal lei, não importando se era soldado, camponês, membro da corte ou rei, a pessoa era punida com a morte.

Gonquer Zá-Sezano percebeu então que cometeu um erro fatal ao se casar as escondidas com Rublis, sem o consentimento dos pais dela. "Minha alma está saturada além do limiar graças ás demasiadas leis arbitrárias de Tílio... porei um termo definitivo findando com a arrogância protariana!”; argumentava constantemente. Desse dia em diante Gonquer passou a sonhar em criar um novo império, uma nação que pudesse ser rei e criar suas próprias leis, inclusive a depravada lei para os protarianos de que o rei poderia escolher quantas esposas desejasse. Às escondidas colocava em prática seus planos com outros protarianos fascinados pelas suas ideias, e cada vez mais surgiam protarianos para apoiarem sua causa.

 

Logo se tornaram tantos que decidiram realizar uma colossal fuga das cidades protarianas visto que se tornaram muito mais em número do que os próprios protarianos. Com hábeis batedores Gonquer se comunicava com protarianos traidores de outras cidades para combinarem o dia e o instante exato em que os pró-Gonquer (protarianos leais à Gonquer) abandonariam suas cidades e se juntariam a ele em massa para tomar um dos distritos protarianos, o mais inacessível e longínquo de toda Protar. Ali, Gonquer Zá-Sezano o converteria em uma nova nação com novas leis e com um novo nome: Trophir.

“A Grande Marcha” (campanha de Gonquer pela libertação) foi sabiamente eleita nos períodos em que Bolibama Tílio e seu povo celebravam datas festivas. Não havia época mais propícia do que essa em que grande parte do exército de Tílio estavam de dispensa do serviço para o "Descanço Anual". Todos os pró-Gonquer estavam preparados e também fortemente equipados para uma possível batalha que poderiam travar contra a Resistência Protariana (as fileiras que nunca descansavam).

 

Não existe nenhum registro protariano ou trophano que conte como foram os agonizantes dias da Grande Marcha, exceto um pequeno pergaminho escrito por Molosso Gaal que narrava o seguinte: "Era o décimo terceiro dia do oitavo mês, sexto dia da semana e também sexto dia daquele interminável conflito horrendo, mas justificável, pois nos presenteou com a tão almejada liberdade. Eu, Molosso Gaal, Conselheiro-Chefe do grande Gonquer Zá-Sezano relato o episódio mais macabro de sua vida. O dia em que o último sucessor da linhagem Zá-Sezaônica comete sua pior barbárie contra uma indefesa mulher que afirmava ser Rublis Memboa, sua primeira esposa; odiada por sua esterilidade. Desesperadamente tal mulher se chegou perante nosso líder com um bebê em seus braços. Com um olhar extremamente feral, o Grande Gonquer fitou-a por um instante perplexo, e visto estar fora de si devido ao vinho arrancou o bebê de seus braços. Em seguida, após injuriá-la de meretriz lançou-se sobre o pescoço da mulher estrangulando-a até a morte.


Enquanto eu avistava aterrorizado o ocorrido á distância, imediatamente chegou-se à Gonquer um mensageiro, provavelmente o mesmo que havia encaminhado Rublis para encontrá-lo, que desesperadamente lhe falara: 'O que acabas de fazer , meu rei? Essa era Rublis, vossa esposa! E essa criancinha é seu filho! Seu filho, , ó rei, por intermédio de Rublis, que deixou de ser estéril!'. Logo após ouvir as palavras do mensageiro, Gonquer caiu imediatamente com as costas ao chão e não se levantou da cama por vários dias. O primeiro dia que levantou-se dirigiu-se á  mim desesperado derramando lágrimas de arrependimento intermináveis. Chorou perante mim um dia inteiro até que finalmente fez-me jurar que jamais contaria á seu filho a atrocidade que havia cometido contra Rublis, e que escondesse esse fatídico episódio de todo o povo, enterrando-o para sempre. A princípio concordei, mas aos poucos minha consciência começa a atordoar-me... não sei por quanto tempo mais poderei suportar tamanha omissão."

Molosso Gaal guardou para si o segredo durante anos. Enquanto isso Laponiel crescia e se tornava um grande amigo de Molosso. Gaal, por sua vez, instruía Laponiel nos seus sábios escritos e ao mesmo tempo ensinava lições práticas sobre honestidade, humildade e justiça. Laponiel seguia seu sábio e melhor amigo e portanto tratava os menos favorecidos com brandura consolando-os e prestando-lhes ajuda, também tinha por costume inspecionar os coletores de impostos pois odiava todo e qualquer abuso, e principalmente aprofundava-se nos escritos trophanos mas era mais fascinado pelos “Escritos de Molosso” (pergaminhos de sabedoria escritos com o próprio punho de Gaal). Gonquer estava portanto convencido de que seu filho era o herdeiro ideal, e visto que Trophir prosperava cada vez mais, graças ao apoio e interesse de Laponiel. Também convencia-se de que nada podia dar de errado em sua vida e que seus severos erros nunca seriam desenterrados, estavam esquecidos para sempre.

 

Todo dia, como costumeiramente fazia, Laponiel Sezano acordava e gostava de começar o dia lendo com Molosso Gaal nos seus aposentos. Mas nesse dia, Gaal havia saído para uma conferência de última hora com todos os Filósofos trophanos. Laponiel decidiu então levar um dos escritos do Grande Filósofo consigo para ler nos seus aposentos reais, entretanto aquele era o pergaminho que continha o segredo da morte de Rublis Memboa, sua mãe. A verdade lhe foi então revelada. Naquele mesmo instante em que leu começou a crescer dentro de si a raiva que o transformou no perverso e desordeiro trophano que foi se tornando aos poucos. Com o tempo Laponiel passou a sentir nojo de ser filho de um pai hipócrita e assassino que enganou-o durante muitos anos com boatos falsos de que como sua mãe havia morrido. Então começou a odiar a todos à sua volta pois negava-se ser, segundo ele, “um hipócrita e assassino trophano, povo de um rei hipócrita e assassino”.

Gonquer Zá-Sezano fora quem plantara a rebelião no coração seu filho!
Por ocultar-lhe a verdade transformou Laponiel no perverso trophano que se tornou. A princípio Gonquer era um pai controlado, pois amava profundamente seu filho mas o punia quando necessário. Mas aos poucos foi perdendo o poder de disciplina. Logo, tornou-se tão mesquinho que nem dava mais atenção aos interesses e necessidades de seu povo, para ele existia apenas Laponiel. E já que não conseguia mais influenciar seu filho pela própria vontade deste, tentou fazê-lo contra sua própria vontade colocando-o nos duros treinamentos ao qual estava sujeito à mercê da poderosa influência dos Filósofos de Tronédia. No entanto, Laponiel é que influenciou os Filósofos colocando-os contra o rei. Estes o ajudaram a realizar seu vingativo plano: ficar a sós com Gonquer para que Laponiel pudesse assassiná-lo.

No ínterim, Laponiel Sezano intrigantemente optou por não tirar a vida de seu pai quando obteve a oportunidade!
 Deveras, golpeou-o violentamente várias vezes com o cabo e a parte cega da lâmina da espada de seu próprio pai, após tomá-la dele, sem inferir golpes letais, largando Gonquer semimorto e desaparecendo de Trophir sem deixar vestígios...

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